O que diabos é uma versão “Beta”
Muita gente fala de versão “Beta” sem saber o que é, ou às vezes diz para o cliente testar a versão “Beta” do programa, sendo que esta é a versão “Alfa”.
Tá bom, vocês podem não entender o que estou querendo dizer, mas leiam esse artigo vindo da IBM e entenderão. É grande, mas para quem quer entender essas nomenclaturas que a cada dia se vê mais e mais na internet, é um prato cheio.
A web virou um “betão”!
“Beta” é a segunda letra do alfabeto grego. “Alfa” é a primeira. Bem… até aí nenhuma novidade, mas… se você prestar mais atenção quando estiver navegando na Internet, vai notar que, cada vez mais, a palavra “beta” aparece nas “home pages” de um monte de sites! Esta palavra aparece assim… de forma bem discreta, quase imperceptível! Difícil paca de descobrir!O Google tá cheio de canais “beta” ? como o Google Scholar, o Google News e até o GMail! Tudo “beta”. O novo modelo de transmissão de TV sobre IP [traduzindo: televisão via Internet], chamado Joost, também é “beta”. Cara, tá tudo “beta”. Um grande “beta”!
É, a Internet pode ter virado um “betão”!. Mas… o que isto significa de fato?!? Antes de mais nada, relaxa! “Beta” não é contagioso, não aumenta o colesterol e nem aumenta a alíquota de contribuição no Imposto de Renda. Mas também não é totalmente inócuo! Portanto, melhor saber do que se trata. E isto você vai aprender no resto desta coluna. Pra isso, a gente vai fazer como sempre fez aqui neste espaço: voltar no tempo, resgatar as informações que são importantes e colocar tudo arrumadinho pra você ler, entender, aprender e usar quando for necessário. Vamos nessa!
Atualmente, o termo “beta” tem mais a ver com “software”. Mas desde já, vale notar que esta terminologia apareceu primeiro na fabricação de “hardware”. E quem inventou esta tal nomenclatura foi a IBM. Lá atrás, quando os produtos de “hardware” eram fabricados quase que por encomenda do cliente, o processo de montagem inicial era seguido de uma longa fase de testes. A IBM tinha então, uma unidade chamada “IBM Product Test Unit”. Foi nessa unidade que a fase de montagem foi chamada de “Alpha” [em Inglês, com "ph"] ou “Alpha Testing” e aí eram testados apenas os componentes mecânicos e os circuitos do “hardware” que estavam sendo montados. Em seguida, este “hardware” era submetido a um teste de funções e o processo de verificação da funcionalidade foi chamado de “Beta Test”. Note que “alfa” e “beta” nasceram como denominação de fases de teste: um mais grosseiro e outro mais sofisticado e preciso. Aprovado nos dois testes, o engenho era, então, enviado ao cliente.
Atualmente, a fabricação de “hardware” é muito mais dinâmica e automatizada ? algo típico da produção de “commodities”. Ao longo deste período de evolução da fabricação do “hardware”, a produção de “software” cresceu muito e adquiriu também uma forte dinâmica que, às vezes, é o diferencial competitivo entre empresas concorrentes. Nasceu a Engenharia de Software e a terminologia foi importada da Engenharia de Hardware, com algumas adaptações.
Pra nascer legal, um “software” passa por algumas fases. Primeiro, o pessoal da Engenharia de Software coleta um conjunto de especificações a respeito do que aquele “software” vai fazer. Depois, cria um diagrama para orientar os programadores sobre como usar a linguagem de programação que transforma as especificações pretendidas em algo a ser executado pelo computador que roda o “software”.
Dito assim, parece fácil mas… acredite: no início, o “software” nasce cheio de erros! E não é este errinho de tela azul que aparece no teu Windows não! É coisa muito mais séria! É erro conceitual, erro de operação aritmética, erro de interpretação de processos e outras coisas “peludas”. Após uma primeira fase de correção dos erros, nasce uma versão que pelo menos funciona: esta primeira versão é chamada de “pré-alfa”. É uma versão ainda mantida “dentro de casa”, para uso apenas do pessoal de programação. Mais trabalho de verificação, correção e aperfeiçoamento do “software” e aí surge uma nova versão, chamada de “alfa”, claro!
Esta versão ainda é “sujinha” e por isto, melhor manter a coisa ainda dentro de casa. Se algum colaborador externo tem um relacionamento estreito com a turma que está produzindo o “software”, pode até ser que este colaborador seja solicitado a experimentar a versão “alfa”, mas em geral ela fica restrita a uns poucos caras.
A versão “alfa” deve ter todos os requerimentos [em Inglês: "features"] do produto já implementados e após a revisão exaustiva da funcionalidade, surge a famosa versão “beta”. Esta versão será a primeira que vai por a cara na rua, sendo liberada para algumas pessoas selecionadas pela empresa que fabrica o “software”. Quem vai usar a versão “beta” é conhecido como “beta tester”. Olhaí, a versão “beta” ainda “dá muito pau”! E a função do “beta tester” é, justamente, sugerir alguns ajustes de caráter regional e/ou notificar comportamentos peculiares que acontecem em alguns equipamentos.
Após os testes da versão “beta”, o produto estará pronto para ser liberado ao mercado em geral. Note que mesmo no mercado, este produto vai evoluir até atingir um estágio de maturidade e estabilidade. É isto que mostra a ilustração a seguir
: 
Pronto! Agora você já sabe o que é uma versão “beta”! Portanto, toda vez que você estiver usando algo em que aparece escrito “beta”, tenha claro que esta não é [pelo menos não deveria ser] a versão final do produto. Ainda falta corrigir ou aperfeiçoar alguma coisa. Bem… pelo menos este é o conceito técnico.
Só que… a coisa tá mudando. A rapidez requerida pelo mundo da Internet está fazendo com que, cada vez mais, produtores das novidades que vão ser lançadas na rede, usem versões “beta” para ocupar rapidinho o ciberespaço! E tome “beta” por todo lado! Como a gente não esconde nada aqui, vamos mostra o outro lado desta moeda: ser “beta” virou quase sinônimo de novidade, modernidade e vanguarda. É bacana! E tem gente que é tarado nisso! Daí, para atrair estes tarados, alguns sites chamam de “beta” alguns produtos que já são bem estáveis. Mas o fato é que “beta” virou uma marca. Marca da moda!
Conclusão: se o que você precisa de um “software” é algo mais informal, com menos compromisso, então legal, vai lá e usa um “beta”. Pode até impressionar a galera dizendo que você é um “beta tester!” Agora… se a sua necessidade é em torno de algo mais sério, mais formal, foge do “beta”. Usa algo que já está estável e maduro. E lembre-se que, na web, é moda ser “beta”. A web virou um… “betão”! Fábio L. Gandour Gerente em Novas Tecnologias Heloisa Granja Editora em Novas Tecnologias