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Casa da Mãe Jeane: “gotas de pérola no mar de mediocridade cultural em que vivemos.”

18th novembro , 2009 | Nenhum comentário | Postado em arte por assessoria

Para quem aprecia cinema e atrações culturais e está cansado da mesmice das festas de Viçosa, uma boa opção é conhecer a “Casa da Mãe Jeane”, um espaço cultural que, além de variados eventos alternativos, tem trazido apresentações de filmes, seguidos de bate papo e uma boa dose de discussão ao final de cada exibição. O projeto – “Por Dentro do Cine” – nasceu em 2008 e pretende valorizar produções premiadas em festivais e com temáticas diferenciadas, filmes que na maioria das vezes não estão na grande mídia, mas que comprovam a qualidade do cinema brasileiro.

A idealizadora da Casa, Jeane Doucas, fala sobre essas questões e os rumos do projeto em entrevista à Studium, que está apoiando o “Por Dentro do Cine” (veja abaixo os cartazes das duas últimas edições, produzidos pela empresa). Para saber como chegar à Casa e conhecer o trabalho de Jeane, acesse o blog: www.casamaejeane.blogspot.com.

Studium: Como e quando surgiu a idéia da “Casa da Mãe Jeane”?

Jeane: Há alguns anos, quando eu e meu marido decidimos reformar nossa casa. Como meu campo de trabalho (teatro, entre outros) sempre foi muito restrito em Viçosa, e o apoio tanto da Prefeitura quanto da Universidade nunca foi efetivo, decidi tomar iniciativa de começar a movimentar algo de cultura na cidade, abrindo um espaço que pudesse abrigar eventos de pequeno porte em todas as áreas artísticas.

Cartaz Por Dentro do Cine 4STD1: Como foi a idealização do “Por Dentro do Cine”?

Jeane: Não me lembro ao certo, mas teve haver com o fato de, na época da idéia (meados de 2008), eu estar envolvida com cinema em Belo Horizonte. Aí eu comecei a perceber um filão bastante interessante, porque tem muita gente que não temos conhecimento fazendo cinema por esse país afora, pessoas que não possuem canais de escoamento para suas produções. Infelizmente, a nossa cultura ainda está duramente massacrada pela Americana e tudo o que não seja “Hollywoodiano” não é valorizado, está fora. É claro que a coisa toda é mais complexa, se trata de mercado, de “business”, mas o fato é que muita coisa bacana produzida aqui, acaba tendo as exibições restritas a festivais e pequenas salas dos grandes centros. Decidi então iniciar esta empreitada, sem grandes pretensões. É um projeto simples e pequeno, mas que a meu ver, é riquíssimo. Considero como gotas de pérola no mar de mediocridade cultural em que vivemos.

STD1: Além desse projeto, quais outras atividades culturais já foram realizadas na Casa?

Jeane: Por enquanto, as outras atividades estiveram vinculadas com a Casa pelo fato de eu ter realizado as produções, mas que não aconteceram na Casa. Primeiro foi no pré- carnaval que o Coccinella realizou este ano. Decidi articular para que o grupo Perifonia, dirigido pelo músico Bulldog e formado por moçada do Nova Viçosa, participasse deste pré-carnaval, tocando para a galera. Depois, produzi o meu solo (Se eu estou aqui, eu posso estar ali?) que foi apresentado no Palácio da Artes em Belo Horizonte.

Há uma outra atividade também, que é subterrânea, chamada Atos Invisíveis. O primeiro Ato Invisível foi uma brincadeira que consistiu na distribuição de cartazes pela cidade com conteúdo non sense, tipo “Vendo este cartaz – tratar comigo”, ou “Vendo R$1.000,00 por R$ 850,00”, e por aí vai. O segundo está em andamento.  Trata-se de distribuir poesias pela cidade. Afixo em murais, deixo em bancos de praças e de ônibus, etc. Isso só é possível graças ao abastecimento diário de poesias que recebo do diretor Paulo César Bicalho, de BH.

Agora, posso falar um pouco dos projetos futuros, que além da continuação do Por Dentro…, iremos oferecer cursos de teatro, exposições de artes plásticas e fotografia, apresentações de espetáculos e performances,  saraus, oficinas de estímulo à leitura para crianças e jovens, pequenos shows musicais, oficinas de artes plásticas, seminários sobre arte e cultura, etc.

SDT1: Como está sendo a repercussão do projeto?

Jeane: Por incrível que pareça, excelente. Digo incrível, primeiro pelo fato dos cineastas e obras convidadas até agora não serem necessariamente famosos, não pertencerem ao “circuitão”. Segundo, pela dificuldade dos que não tem carro em chegar à Casa. E muitos estudantes têm ido à Casa, seja de ônibus, carona, bicicleta ou mesmo à pé. Realmente fica evidente a carência da população de Viçosa por qualquer atividade que esteja relacionada a cultura. O lazer na cidade fica restrito a idas em botequins, ou festas de estudantes. O que sobra para os que não estão exatamente enquadrados na faixa etária estudantil são as churrascadas em casa de amigos. Resta àqueles que precisam alimentar a alma com arte as escapadas de fim de semana para BH que, com o tempo, ficam inviáveis, caras e cansativas.

Torço para que este entusiasmo inicial se multiplique, para que o projeto possa continuar, sobreviver. Ressalto a importância dos apoios e patrocínios recebidos até então. Apesar de ainda serem parcos, são iniciativas que demonstram que é possível mudar, aos poucos, a mentalidade do empresariado local. É preciso perceber que pode ser muito mais interessante para eles apoiar projetos desse âmbito, do que se restringir somente à grandes eventos. Em termos de mercado, se o empresário for inteligente, ele sacará que não interessa mais somente números, mas a que a marca dele está vinculada. E esperamos que este tipo de empresariado comece a crescer na cidade e despertar para esta nova realidade.

É importante também deixar claro, que o projeto não tem fins lucrativos. A entrada é franca, os cineastas não cobram cachê e a Casa na leva nada. Então o patrocínio é simplesmente para cobrir os gastos básicos de transporte, alimentação, hospedagem e divulgação entre outros.

kiko_mollica2STD1: Quando e quais serão as próximas exibições de filmes?

Jeane: Pretendemos retomar as exibições em 2010, realizando uma por mês. Seguiremos o calendário escolar, então, é bem provável que a próxima exibição seja em março. Não sabemos ainda quais serão os cineastas e obras que virão para o próximo semestre, porque a negociação com eles é sempre um pouco em cima da hora pelo fato de muitos deles viajarem por conta de festivais.

Uma novidade que teremos para o ano que vem é que o projeto não ficará restrito às exibições e bate-papos. Já fizemos contatos com diretores que estão interessados em oferecer oficinas intensivas de cinema e atuação para cinema. Para estas oficinas teremos que cobrar uma taxa, porque se trata de formação. A não ser que consigamos patrocínio suficiente para cobrir o pro labore do profissional. Esse é o nosso ideal. Veremos.

nova chrysler? de novo?

3rd novembro , 2009 | Nenhum comentário | Postado em Design na veia por hugo arantes

chrysler_newwinglogo

Este será o novo logo da marca(Fonte: U.S. Patent and Trademark Office)

A Chrysler vai mudar a logo, será o primeiro reflexo da administração da Fiat? Enfim a imagem acima é o novo logo, e a debaixo é o antigo que ja havia sido alterado pelo grupo Daimler quando comprou a Chrysler. Mesmo em grandes corporações a filosofia de mudar o logo pra mostrar que está “sob nova direção” é comum. Enfim, pessoalmente achei ridículo, cheio de modismos, sem vínculo com a tradição ( a nao ser o formato das asas, agora num shape mais “jornadas nas estrelas”) nenhuma relação com os produtos que eles vendem, ou seja: o puro mudar por mudar…

chrysler_logo_antigo

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Novo logo: Carrefour

3rd novembro , 2009 | 1 comentário | Postado em Design na veia por hugo arantes


logos_carrefour

post estraído do blog LogoBr que tem conteúdo de prima.

Depois do WalmartPão de Açúcar, é a vez do carrefour.

Esse é o trabalho de redesign do logotipo da companhia, uma das maiores empresas de setor do mundo. Com mais de 15 mil lojas e inaugurando quase que 1 loja por dia, o Carrefour resolveu dar um tapa no logotipo criado em 1966 e inalterado até então. Gostei!

Pra quem não sabe, o nome Carrefour significa cruzamento em francês, pois a primeira loja foi aberta perto de um. As duas setas (sim, setas!) remetem a esse cruzamento e as cores, como não poderia ser diferente, são das cores da bandeira francesa. O que muitos não percebem é que ali no centro existe um C em negativo. Eu mesmo fui descobrir isso ano passado num livro.

Bem, no dia 04 de setembro de 2009 foi lançada a nova campanha mundial Positive is Back (algo como Positivo é voltar) mas quem roubou a cena foi o redesign do logotipo.

Logo

O que é fácil de ver é que o logo está com linhas que fluem de maneira mais suave do que seu antecessor. Porém com excessão das pontas das setas, que foram arredondadas, todo o redesenho dele é feito com base no C negativo. Repare bem. O negativo (C) segue o desenho do C usado na nova tipografia, o que não acontecia no anterior.

nolog_antigo_type
Identidade antiga não tinha mesmo C para o nome e logo

É claro os ajustes feitos no C negativo do logo, como altura e largura, mas também é claro a coerencia do(s) designer(s) ao se atentarem para esse ponto. Alias, não consegui a informação de qual estudio/designer fez o projeto. Se alguém souber, manda pra gente. :)

Com essa mudança, as proporções foram levemente alteradas também. Na imagem abaixo feita pelo pessoal do BrandNew dá para ver o que mudou de fato de um para o outro de maneira mais didática.

comparacaoAmarelo: logo antigo | Azul: novo logo | Verde: intersecção

Tipografia

A tipografia usada agora é mais leve (a anterior era a AmerType), perdeu aquele sentido de “bloco” que tinha. É uma serif também mas com cara contemporânea. Os espaços negativos são mais generosos e a altura-x é maior que o type anterior o que permite um kerning mais apurado (repare no par FO) entregando uma fluidez maior. Algo interessante também de se observar é que, com serifas menores e possibilidade de um trabalho no kerning bacana, o nome ficou maior e mais largo usando o mesmo espaço que o anterior.

type

As serifas continuam arredondadas, com linhas curvas para fora (repare na base do R) e arremates finos (a, r,e,u). Um belíssimo projeto. Infelizmente, até agora, não descobri que fonte é esse ou qual foundry a produziu. Se alguém descobrir, passe ai pra gente que atualizo aqui no artigo ok.

type_analise

A grande mudança

Apesar da tipografia e redesenho, a grande mudança foi a introdução de várias versões do logo em degradês.

logos_colors

Olha a aplicação nas sacolas (e cartazes eu acho):

sacolas

para mais leia no logobr

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